Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

jogos olimpicos

''ufa. benza deus acabaram as olimpíadas!'' ''verdade. não aguentava mais ver aquele monte de brasileiro chorando porque não consegue ganhar nada.'' ''é. e nem quando aquela moça do salto em distância ganhou ouro eu senti orgulho de ser brasileiro.'' ''nem eu. foi mais emocionante a izinbaieva ganhando do que a brasileira. rolou até uma certa lagrimazinha.'' ''por que será que a gente tem esse negócio contra brasileiro?'' ''não faço idéia.'' ''vai ver a gente não é brasileiro de verdade.'' ''é bem possível.'' ''vamo escolher um país pra gente ser? eu quero ser francesa.'' ''larga a mão de ser clichê joana.'' ''bem que você gosta quando eu faço a puta francesa vai.'' ''tá bom. você pode ser francesa. mas só comigo. com os outros eu quero que você seja uma alemãzona gigantesca levantadora de peso. nada sexy.'' ''egoísta! então comigo você vai ser um galã italiano. com os outros, um (pausa para o pensamento) pedreiro bebedor de cerveja, fumante de derby e que deixa o cofrinho aparecendo.'' ''ótimo. agora vem cá mon amour!''

Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008

joana brigitte

''joana, agora não vai! para de se esfregar!'' ''como assim?'' ''durante o godard não jo. deixa eu assistir aí depois a gente faz o que você quiser.'' ''porque cargas d'água eu fui comprar esse dvd pra vc?'' ''porque você me ama e sabe que eu amo esse filme.'' ''ama o filme ou a brigitte bardot?'' ''os dois. mas sem ciúme por favor.'' ''se eu souber que você pensou nela na próxima vez que a gente fizer sexo... eu queimo esse dvd!'' ''pode ficar sussegada, eu só vou bater uma punheta.''

Domingo, 10 de Agosto de 2008

nú artístico

''você se acha muito gostoso né?'' ''não. por que?'' ''então põe uma roupa e para de tirar foto pelado pra por no flickr.'' ''não. todo mundo gosta. e não é simplesmente foto pelado, é arte. e nem um pedaço daquilo que só você vê aparece nas fotos. aliás, eu acho que você tá com ciúme. aaaaaaaaa é isso mesmo, tá com ciúme.'' ''to mesmo, porque?'' ''ah. já admitiu? assim fica sem graça.'' ''eu sei''(com um sorriso largo e os olhos semicerrados) ''que tal você participar das fotos?'' ''há dois meses que a gente ta junto e é a segunda vez que você me pergunta isso, e eu respondo de novo que ninguém vai me ver sem roupa desse jeito.'' ''larga a mão de ser careta. nem parece você. além do que, eu não vou mostrar tudo.'' ''ééé, acho que dá pra gente tentar alguma coisa.'' ''(pensamento) oba. só dois meses. essa foi fácil de convencer.''(cara de safado)

Segunda-feira, 9 de Junho de 2008

a viajem

''com quem eu falo?'' ''não reconhece mais a voz da sua amiga de guerra sua vagabunda?'' ''madá! que saudade que eu to de você sua sua puta de rua! como que vai?'' ''vou levando né! e você?'' ''indo cada vez melhor. mas vem cá, por que não respondeu minha carta? tava ansiosissíma esperando uma resposta sua!'' ''ah bem, você sabe como é né? eu não tenho as fineza de saber escrever igual você. mas vem cá, que doidisse é essa de viajar pra alemanha?'' ''ah minha querida, fiquei meio cansada dessa vida aqui e resolvi dar um tempinho pra fora. você não quer ir junto?'' ''querer eu até quero, mas como eu vou bancar isso?'' ''você acha que eu não sei da sua situação? se eu te chamei é porque eu tenho tudo esquematizado.'' ''se tá tudo nos esquema então tá beleza. mas bem, eu não tenho nem rg. e passaporte e tudo?" ''eu não disse que arranjo tudo?'' ''você é o máximo georgia.'' ''georgia não bem, gê.'' ''certo. mas por que alemanha?'' ''é que eu tenho uns contatos com uns clientes de lá que ajeitram tudo.'' ''legal bacana. mas e se eu for, quando eu voltar dona gemilce não vai querer me dar o emprego de volta.'' ''tudo bem, eu lhe arranjo outro melhor, tipo o meu.'' ''com esse jeito de puta de esquina que roda a bolsinha que eu tenho?'' ''lógico. ou você se esqueceu que eu comecei do mesmo jeito que você? a gente aprende a ser fina e elegante.'' ''então resolvido, quando a gente vai?'' ''sábado.'' mas hoje já é quinta.'' ''e daí? foge amanhã desse pulgueiro e vem pra minha casa pra sábado a gente decolar.'' ''ai que delicia, vou viajar de avião pela primeira vez.''

Terça-feira, 3 de Junho de 2008

manga gelada

foi na sala de casa, naquele frio polar, tomando aquele suco de manga com jeito de raspadinha e sem açúcar na caneca de meio litro com desenhos de peixinho que ele havia ganho no seu aniversário de 18 anos, observando joana trabalhando no computador que ele teve a brilhante idéia, a rocambolesca idéia. não era bem uma idéia. eles haviam brigado como sempre e lhe veio uma cena de um filme na cabeça momentâneamente desregulada. levantou sem ela perceber e foi chegando por trás, carregando a imensa caneca com liquido amarelo extremamente gelado. quando chegou perto do alvo, despejou meio litro do delicioso suco na cabeça da namorada. ''ficou louco seu filha da puta. olha o frio que ta e você faz isso.'' enquanto isso ele rolava no chão de tanto rir e ela ali, parada com uma cara ridicula. ''espera, não se mexe que eu vou pegar a máquina.'' e rindo cada vez mais. vendo que nada podia fazer diante daquela situação pastelão, ela começou a rir também. e não precisa nem falar como acaba essa história!

Sábado, 31 de Maio de 2008

por que?

''qual a diferença de chamar puta de porstituta?'' ''ah marcelo! não me amola com essas perguntas que não tem resposta.'' ''lógico que tem resposta! e me diz: pra onde vão os bilhetes de metrô que entram na máquina? não vai me dizer que essa não tem resposta!'' ''tem, essa tem mas eu não sei! e por que milho sai inteiro no cocô?'' ''porra joana! como você é desagradável. eu começo uma conversa inteligente e você me vem com perguntinha de comunidade de site de relacionamento na internet!'' ''então tá bom. uma pergunta de verdade: por que eu amo você?'' ''porque eu te amo.'' ''você não respondeu.'' ''é porque não tem resposta.''

Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

matei sim

já que era sadomasoquismo que ele queria, foi sadomasoquismo que ele ganhou. queimei ele inteirinho com cigarro. bati nele até ele dizer chega. depois disse que tinha o toque final. sai e fui até a cozinha. peguei uma faca tramontina de serrinha e cabo de plástico e acabei o serviço. não suporto gente exagerada. ele pedia mais e mais e foi o mais que eu dei pra ele. o problema foi que eu também exagerei. ele morreu. também, já tinha seus cinquenta e tantos. mereceu? não. mas aconteceu e agora já foi. quando eu percebi eu meio que entrei em pânico. nunca pensei que fosse matar uma pessoa. o problema é que a gente pega o gosto. depois que passou o susto eu pensei: já que eu tirei a vida dele mesmo o resto não tem importância. peguei tudo que podia carregar da garçoniere do velhote. a carteira e o carro também. quando eu ia saindo, pensei em limpar digitais e essas coisas, mas lembrei que nem rg eu tenho. eu não sou ninguém. mas vou ser. vendi o carro e guardei o dinheiro. com o dinheiro da carteira comprei muita cocaína. agora eu tinha minha chance de ser alguém na vida. não ficam dizendo por aí que vida de puta é fácil? então, vou conseguir dinheiro mais fácil ainda. tem tanta puta por aí que ninguém vai saber que fui eu. parou de falar e acendeu um cigarro caro. depois de tanto cigarro do paraguai ela achou que merecia.

Terça-feira, 13 de Maio de 2008

demoniaca da garoa

eu amo são paulo mas, eu não mereço tanto.

Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

cruzamentos

''ela era uma senhora meio mal-humorada. ela tinha alguns problemas. o marido dela tinha deixado ela por outra depois que deixou ela paralítica. foi um acidente estranho na verdade. ninguém sabe ao certo quem dirigia o carro porque era conversível e os dois foram parar fora dele e acabaram do mesmo lado, no fim que dirigia ninguém sabe. os dois tinham bebido o que deviam e o que não deviam. ela jura que ela dirigia e ela jura que era ele o culpado. no fim ele escapou inteiro só que ela ficou paralítica. daí ele perdeu o tesão por ela e como tinha muito dinheiro, apesar de ser um velho nojento, arranjou uma mocinha. ela acabou ficando com a casa e jurando que o marido tinha morrido. jura que o primeiro filho também morreu. o porque dela achar que o mais velho tenha morrido também eu não sei. eu era muito nova pra entender coisas muito complicadas. morava só com o filho mais novo. naquela mansão. um ator. no que dava pra perceber ela odiava ele, mas no fim das contas ele era o único que fazia companhia pra ela além da minha mãe. mas pelo que eu andava pescando no ar ela ia perder a mansão. e minha mãe e meu pai o emprego, porque o marido morto estava tirando tudo dela e do filho mais novo que acabou apoiando a mãe. foi ela quem me mandou pro puteiro. foi um negócio estranho que eu acho que eu meio que apaguei da minha cabeça. só lembro do motorista, que era meu pai, e ela em um carro grande e bonito e ela conversando e me deixando naquele lugar. foi tudo dentro do carro mesmo, como nessas lanchonetes que a gente pega o lanche pelo carro. só que ninguém pegou nada. só eu fui entregue.'' ''me fale os nomes, as histórias ficam mais interessantes quando tem nomes, mesmo a gente não conhecendo as pessoas.'' ''o marido era o Otaviano, ela Olimpia, o mais velho Argel e o ator era o Amílcar.'' ''cada nome feio.'' ''pois é.''

Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

vida de mentira

''por que tem que ser assim? por que você mente tanto?'' ''trauma de infância.'' ''explica.'' ''quando eu era criança eu era meio, muito inocente. bobinho. todos meus coleguinhas por algum motivo freudiano diziam ter pais policiais. só eu não tinha. e não conseguia mentir como eles, porque no fim das contas eu sabia que eles mentiam, mas mesmo assim eu sentia inferior que eles. hoje, agora que eu sou um pouco mais esperto, porque eu fui aprendendo a ser, eu tento levar vantagem em cima de algumas coisas. eu odeio isso, mas é algo tipo um vício, incontrolável. eu penso naquela caixa de areia, com aqueles balanços coloridos e as crianças dizendo ser filhos de polícia e eu alí parado, me sentindo excluído. é horrivel pensar que umas crianças imbecis me fizeram crescer um cara imbecil.'' ''você não é imbecil.'' ''sou sim. se você entrasse na minha cabeça e descobrisse tudo o que eu penso nunca mais ia querer me ver.'' ''que há de tão medonho?'' ''eu gosto demais de você pra contar. voc6e está comigo por quem você conheceu, não por quem eu sou de verdade. então continuemos assim.'' ''senão eu me sentiria obrigada a lhe deixa entrar na minha também, e acho que não seria idem lá muito agradável.'' ''é muito mais fácil esconder não é?'' ''não tenha duvida!'' ''há quem te conheça de verdade?'' ''tem que me conheça mais do que você, mas de verdade mesmo não. no real mesmo acho que nem eu." '' então um brinde às nossas vidas de mentira!'' ''saúde!''