quinta-feira, 29 de maio de 2008

matei sim

já que era sadomasoquismo que ele queria, foi sadomasoquismo que ele ganhou. queimei ele inteirinho com cigarro. bati nele até ele dizer chega. depois disse que tinha o toque final. sai e fui até a cozinha. peguei uma faca tramontina de serrinha e cabo de plástico e acabei o serviço. não suporto gente exagerada. ele pedia mais e mais e foi o mais que eu dei pra ele. o problema foi que eu também exagerei. ele morreu. também, já tinha seus cinquenta e tantos. mereceu? não. mas aconteceu e agora já foi. quando eu percebi eu meio que entrei em pânico. nunca pensei que fosse matar uma pessoa. o problema é que a gente pega o gosto. depois que passou o susto eu pensei: já que eu tirei a vida dele mesmo o resto não tem importância. peguei tudo que podia carregar da garçoniere do velhote. a carteira e o carro também. quando eu ia saindo, pensei em limpar digitais e essas coisas, mas lembrei que nem rg eu tenho. eu não sou ninguém. mas vou ser. vendi o carro e guardei o dinheiro. com o dinheiro da carteira comprei muita cocaína. agora eu tinha minha chance de ser alguém na vida. não ficam dizendo por aí que vida de puta é fácil? então, vou conseguir dinheiro mais fácil ainda. tem tanta puta por aí que ninguém vai saber que fui eu. parou de falar e acendeu um cigarro caro. depois de tanto cigarro do paraguai ela achou que merecia.

terça-feira, 13 de maio de 2008

demoniaca da garoa

eu amo são paulo mas, eu não mereço tanto.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

cruzamentos

''ela era uma senhora meio mal-humorada. ela tinha alguns problemas. o marido dela tinha deixado ela por outra depois que deixou ela paralítica. foi um acidente estranho na verdade. ninguém sabe ao certo quem dirigia o carro porque era conversível e os dois foram parar fora dele e acabaram do mesmo lado, no fim que dirigia ninguém sabe. os dois tinham bebido o que deviam e o que não deviam. ela jura que ela dirigia e ela jura que era ele o culpado. no fim ele escapou inteiro só que ela ficou paralítica. daí ele perdeu o tesão por ela e como tinha muito dinheiro, apesar de ser um velho nojento, arranjou uma mocinha. ela acabou ficando com a casa e jurando que o marido tinha morrido. jura que o primeiro filho também morreu. o porque dela achar que o mais velho tenha morrido também eu não sei. eu era muito nova pra entender coisas muito complicadas. morava só com o filho mais novo. naquela mansão. um ator. no que dava pra perceber ela odiava ele, mas no fim das contas ele era o único que fazia companhia pra ela além da minha mãe. mas pelo que eu andava pescando no ar ela ia perder a mansão. e minha mãe e meu pai o emprego, porque o marido morto estava tirando tudo dela e do filho mais novo que acabou apoiando a mãe. foi ela quem me mandou pro puteiro. foi um negócio estranho que eu acho que eu meio que apaguei da minha cabeça. só lembro do motorista, que era meu pai, e ela em um carro grande e bonito e ela conversando e me deixando naquele lugar. foi tudo dentro do carro mesmo, como nessas lanchonetes que a gente pega o lanche pelo carro. só que ninguém pegou nada. só eu fui entregue.'' ''me fale os nomes, as histórias ficam mais interessantes quando tem nomes, mesmo a gente não conhecendo as pessoas.'' ''o marido era o Otaviano, ela Olimpia, o mais velho Argel e o ator era o Amílcar.'' ''cada nome feio.'' ''pois é.''